quarta-feira, 8 de julho de 2020
Resenha: EU do Rashid - música
Resenha: Menina Escrevendo com o Pai - João Anzanello Carrascoza
Vamos recapitular um pouco? Já falamos de romance, poesia, racismo, podcast, foi um monte de coisa nesse um mês resenhando aqui para vocês. Espero que vocês estejam gostando, tem sido um grande prazer, pensar e escrever para vocês. São tempos bem loucos que a escrita é uma forma de sentir que estamos fazendo parte de algo, de alguma forma, escrever, falar são desdobramentos que nos fazem sentir vivas e parte de algo maior, muito obrigada por proporcionarem esse sentimento.
E para comemorar esse um mês, pensei em fazer algo diferente.
Vou separar aqui uns trechos de umas músicas e de um livros para vocês.
Primeiro trecho, do livro "Menina Escrevendo como Pai" do João Anzanello Carrascoza, o segundo livro da Trilogia do Adeus, que inclusive, muito muito perfeita, díficil até eleger qual é o melhor dos três, porém, vamos enfim para o trecho que separei para vocês : " E eu, eu não digo nada, eu ia dizer, não é nada, é só a vida, eu ia dizer, é só a vida, a minha e a sua, nossas vidas partindo em velocidade diferentes, eu ia dizer, é a minha vida que ainda é a sua vida que está deixando de ser. Mas eu não digo nada. Naquele momento, e, agora, ao revivê-lo, eu não digo nada"
Esse trecho fala um pouco sobre a finitude da vida, de como estamos todos indo aos poucos, nesse momento de pandemia, falar disso, por mais dolorido que seja é também necessário, quando começamos a perceber o quanto a vida é esse misto entre está e partir aos poucos, começamos a ver tudo diferente, pensamos em todos os nossos afetos e no que de fato vamos dar valor, porque a cada dia estamos deixando de ser de alguma maneira. Louco né? Mas parece fazer sentindo de alguma forma.
Vamos passar para o segundo trecho, dessa vez é uma música, do Cartola, que vou linkar aqui para vocês uma versão linda, de um dueto entre Tereza Cristina e Criolo: https://www.youtube.com/watch?
" Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó"
Nosso terceiro trecho, foi escrito por uma cearense, Rachel de Queiroz, do livro Dora Doralina, acho que depois vou falar mais sobre ele aqui, é um livro tão impactante, dolorido, que fala do sertão, de amores, de família, de mágoas, teatro,nossa é muita coisa mesmo, chega até ser difícil falar dessa obra sem ser prolixa, mas vamos lá para os recortes, acho que vou colocar dois trechos que amo muito : " Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer. E eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas. O ruim é quando fica dormente. E também não tem dor que não se acalme- e as mais das vezes se apaga. Aquilo que te mata hoje amanhã estará esquecido, e eu não sei se isso está certo ou está errado, porque acho que o certo era lembrar. Então o bom, o feliz se apaga como o ruim, me parece injusto, porque o bom sempre acontece menos e o mau dez vezes mais. O verdadeiro seria que desbotasse o mau e o bom ficasse nas suas cores vivas, chamando de alegria"
E por fim, o nosso último trecho de hoje, é do livro Amada, da Toni Morrison, um livro que depois conto mais para vocês, terminei recentemente, esse mês ainda e estou digerindo o que foi esse livro, acho que demorei uns dois meses lendo, de tão forte que ele é, tinha que pausar e depois voltar e foi uma viagem bem louca mas vou separar aqui um trecho para vocês:
" Denver mordeu as unhas.” Se ainda está lá, esperando, quer dizer que nada nunca morre.”
Sethe olhou bem para o rosto de Denver: “Nada nunca morre”, disse ela.
“A senhora nunca me contou tudo o que aconteceu. Só que chicotearam a senhora e que a senhora fugiu, grávida. De mim."
Outro trecho: " ..."Vai doer agora". Disse Amy." Tudo que está morto dói para viver de novo". Uma verdade para sempre, pensou Denver. "
Então, beuatymores, acho que era isso, separei trechos que discorrem sobre a dor, vida, morte, afinal, tudo isso se interliga ás vezes mesmo, mas de fato nada nunca morre, pode ser dolorido, e como for... mas sempre que pensamos em algo, ou alguém, enfim, aquela lembrança é sempre um sinal de que aquilo ou alguém ainda é vivo dentro de nós, e enquanto as dores, é como Rachel de Queiroz diz, vai doer sempre, talvez seja até um sinal de que estamos vivos mas devemos lembrar que a vida é feito de misturas, existem momentos de dores mas há também momentos de alegrias, vamos viver essa dualidade, que existe no mundo e dentro de nós, que possamos encontrar momentos mais felizes que doloridos mas abraçemos essa contradição que é viver.
Beijos e até próxima semana,
Nathypintoo.
A obrigação da produtividade
quinta-feira, 25 de junho de 2020
Resenha: Nada acontece duas vezes - Wisława Szymborska
Wisława Szymborska – Nada acontece duas vezes.
Wisława Szymborska, Um amor feliz
É muito complicado tentar interpretar poesia, como eu já disse antes, eu não sou especialista em literatura e nada do gênero, tudo aqui é muito feito no feeling mesmo, eu meio que estou expondo para vocês um pouquinho de mim, do que eu leio e do que eu reflito sobre isso. Enfim, além deste detalhe, também tem a questão que nossas subjetividades fazem a gente interpretar tudo de maneiras distintas, pois cada um carrega dores e marcas diferentes. Espero que vocês sintam um quentinho no coração com essa poesia, ela nos conforta em determinados momentos, viver é muito comprido e dolorido, mas é como a poeta diz, nada é igual, nem os beijos e nem as pessoas, hoje nós somos, o ontem já não temos e o futuro? Esse que não sabemos mesmo. Os dias não são iguais da mesma maneira que nós mesmo não seremos mais iguais, somos multidões dentro de universo se chama EU. Abraçamos nossas particularidades e vamos nos confortar e apreciar hoje ainda que ele seja sufocante, louco, lembre nada será igual, dias melhores virão também.
Nathypintoo
quarta-feira, 17 de junho de 2020
Resenha: Vozes guardadas - Elisa Lucinda
Oi, beautymores.
Confesso que cada dia é mais difícil escolher uma leitura para resenhar aqui, sempre fico muito confusa, são tantas opções haha. Mas hoje resolvi escolher um livro de poesia. De uma poetisa, atriz, jornalista, cantora maravilhosa, a Elisa Lucinda. Ela inclusive escreveu o milionário dos sonhos com Emicida, conhecem? Para não perder o costume de indicar o link para vocês, como não tem podcast hoje, vou colocar no final da resenha o link do vídeo de Lucinda e Emicida. E sem mais delongas, vamos para o nome do livro: Vozes guardadas, da editora Record.
Sobre o livro, é o resultado de onze anos de trabalho, ela juntou diversos poemas, mais especificamente, juntou dois de seus livros: Jardim de Cartase O livro dos desejos. Com as mais diversas temáticas, ela fala sobre amor, raça, autoestima, estação do ano, desejo, enfim, são muitos temas mesmo. E a leitura é muito fluída, a Elisa tem esse poder de pegar as palavras e fazer um arranjo e proporcionar as viagens mais loucas para nós leitores, e convenhamos, em tempos de isolamento precisamos de coisas que nos permita viajar, principalmente em viagens que provoquem afetos tão positivos como a maioria dos poemas desse livro.
E por fim, vou separar aqui alguns trechinhos para vocês para aguçar a curiosidade pelo livro (acho que não é spoiler porque não se tem spoiler de poesia né?).
Vou começar pelo o poema que me despertou o desejo de ler o livro:
“Se não gostar mais de mim
não me responda nada
não me diga nada
não quero que fiquem gravadas
as palavras do não querer se não gostar mim
ninguém precisa saber
nem eu.
Se não gostar de mim seja breve seja zen
silêncio de ioga e Sidartha.
Mas se ainda sonhar comigo, por favor, meu amor,
devolva essa carta.”
Depois que terminei esse poema, fiquei refletindo quantas e quantas palavras de não querer a gente guarda hein?
“Queria não saber nada de Aritmética para não contar os dias que não te vejo. Errar na conta do que falta para você chegar. Enquanto você não vem a aflição me inquieta enquanto o medo me quer estática. Cresci achando que as horas esperadas da vida não tinham nada a ver com a Matemática!
“Por mim, pelo gume de minha palavra alta e rouca não se sobreporão fascistas, nazistas, racistas, separatistas qualquer ista, qualquer um que me tente calar, amordaçar minha boca. Não mais haverá prisões, ó grande nave louca, para a minha palavra solta!
“Saudade imensa de tua companhia. Drummond ensinou que a saudade é excesso de presença. Então é isso: tua ausência está presente em mim, tua falta ainda anda comigo pra lá e pra cá. Como se você não tivesse partido. Como se ainda fosse voltar.
Poderia citar mais milhares das poesias que tem nesse livro maravilhoso, são 515 páginas! Mas é isso, que as palavras de Elisa provoquem em vocês os mesmos sentimentos positivos que provocaram em mim. Seja falando de amor, saudades, safadezas (sim, tem uns poemas bem safadinhos no meio), cotidiano e dores, a autora consegue provocar as melhores viagens.
Link do dia: https://www.youtube.com/watch?
Beijos e até a próxima semana,
Nathypinto.
