quarta-feira, 8 de julho de 2020

Resenha: EU do Rashid - música

Oi, beautymores! Tudo bem? 

Começando uma nova semana de julho, nesse dia 7192719 de isolamento, pensei em sugerir uma música para reflexão. 


O nome da música é EU do Rashid, esse o link: https://www.youtube.com/watch?v=icngV4wB6MA

Não posso perder o costume e indicar um link ou podcast para vocês. Pois então, vou colocar aqui para vocês a letra dessa música e depois passaremos para uma "breve" reflexão. 


Preciso falar sério agora
Sério, bora
E é mais comigo do que com quem tá lá fora
Há anos eu adio essa conversa
Não é papo de primeira diss
É papo de de quem mesmo sem saber de onde começa
De primeira diz: não seja covarde
É clichê mas nunca é tarde
Boa parte da minha carreira eu tive
Medo de ser eu mesmo e ser pouco pro rap
O que eu oferecer, inseguro com as minhas rimas
Uma vez me ridicularizaram e aquilo enterrou minha autoestima
Do jeito à voz era tudo ruim
Queria ser os outros, mas eu nunca fui ninguém além de mim
Minha briga era com o espelho
Não aceitava aquilo que ali estava
Aliás, achava que o futuro que eu projetava era bom demais
Grande demais pra embalagem que me comportava
E a timidez como balaclava
Dom, amava escrever mas odiava ouvir meu próprio som
Pique o fragmentado
Espera querendo ser reconhecido mas nem eu sabia quem eu era
A Dani sabe das minhas crise eu não falo do disco
Ainda assim ela abraçou o risco
Admiro a forma que ela age, visto que ela é ela mesma
Coisa que até então eu não tinha coragem
Sinistro, então quem era nas linha se essas rima, esses disco essas ideia são minhas
Só que compondo era só eu me expondo à toa
Todo esse tempo esperando a aprovação das pessoa, mano
Nunca tive depressão, eu não brinco com isso
Essa doença é séria, tenha afinco com isso
Mas eu versus eu era ridículo
Botava fé no meu talento mas duvidava de mim como veículo
Até o lance dos palavrão que querendo ou não, devia ter um medo inconsciente da rejeição
Carai, quase bati a nave mas o rap que
Eu amo nunca foi grade, sempre foi chave
Liberdade, não agrado, nem acaso e nem atraso
A onda que não bate só no raso
Sem dom pra Shakespeare
Trouxe a real como paragem mesmo que
Até os fã ainda prefiram um personagem
Atrás de canaã feito um hebreu
Quebrei a quarta parede do outro lado era eu
Revendo que essa saga inclui
Eu já quis ser outra pessoa mas o fato é: eu nunca fui
Só eu pisei meus passos, só eu chorei meu choro na base do tomara
Sem cara, sem coro
E se vivi a bomba então é meu o estouro
Me agarrei a isso como se tivesse quatro braços igual coro
Sem meu agouro, só meu agora
Um universo aqui dentro e o planeta lá fora
A gente se adapta, não no meu cenário essa é minha metamorfose de Kafka, só que ao contrário
Queria tanto ser alguém que qualquer um tava
Valendo, mas já era eu, mesmo não reconhecendo
Parece confuso, agora imagine todo esse conflito
Na minha mente e só eu e Deus sabendo
Por muitos anos eu achei que eu não bastaria
Que tudo aquilo que me fazia ser eu,
Meu diferencial, não acrescentaria nada as pessoas
A partir daí tentei ser tudo, menos eu
Corri tanto de mim
Mas tanto que só parei quando trombei de frente com uma casca vazia
E notei que ali dentro cabia exatamente cada vontade minha, cada memória
Vi que a casca era forte o suficiente pra suportar as tempestades que de vez em quando eu costumo atravessar
Até espaço para as minhas frustrações havia lá, resolvi entrar
Eu sou a única pessoa que eu poderia ser
Quanta gente tem medo de ser si e só
Quanta gente tem medo de ser si e só
Quanta gente tem medo de ser si e só
Quanta gente tem..

A reflexão de hoje será curta, a música por si só fala muito coisa, espero que vocês escutem e possem fazer a viagem e compreender os choros e os passos que até agora foram dados. Estamos nessa busca eterna de saber quem somos e o que queremos, é difícil abraçar o universo que existe dentro de nós. Um universo que é contraditório, que tem-se também uma guerra, entre o bem e mal, não somos uma dualidade, somos mais múltiplos do que podemos imaginar, e ás vezes existe uma grande fragilidade entre ser e deixar de ser, admitir tudo isso pode causar medo mesmo. Precisamos entender quem somos, não precisamos ter medo de ser si e só, como a última estrofe da música. 

Vocês com certeza já se fizeram diversas perguntas várias vezes: quem eu sou? o que quero ser? para onde vou? e por aí vai.. pois então, essa é uma pergunta que talvez levaremos a vida inteira para responder mas a partir de hoje e desse momento de isolamento forçado em razão da situação que estamos vivendo no mundo, pare para refletir e se amar e se cuidar também, volte seus olhos para o EU.  Pegue todos os seus fragmentos e não tenha medo de SER. 

cheiro grande, 

Nathypinto.

Resenha: Menina Escrevendo com o Pai - João Anzanello Carrascoza

Oi, beautymores, 

Vamos recapitular um pouco? Já falamos de romance, poesia, racismo, podcast, foi um monte de coisa nesse um mês resenhando aqui para vocês. Espero que vocês estejam gostando, tem sido um grande prazer, pensar e escrever para vocês. São tempos bem loucos que a escrita é uma forma de sentir que estamos fazendo parte de algo, de alguma forma, escrever, falar são desdobramentos que nos fazem sentir vivas e parte de algo maior, muito obrigada por proporcionarem esse sentimento. 

E para comemorar esse um mês, pensei em fazer algo diferente. 

Vou separar aqui uns trechos de umas músicas e de um livros para vocês. 
Primeiro trecho, do livro "Menina Escrevendo como Pai" do João Anzanello Carrascoza, o segundo livro da Trilogia do Adeus, que inclusive, muito muito perfeita, díficil até eleger qual é o melhor dos três, porém, vamos enfim para o trecho que separei para vocês : " E eu, eu não digo nada, eu ia dizer, não é nada, é só a vida, eu ia dizer, é só a vida, a minha e a sua, nossas vidas partindo em velocidade diferentes, eu ia dizer, é a minha vida que ainda é a sua vida que está deixando de ser. Mas eu não digo nada. Naquele momento, e, agora, ao revivê-lo, eu não digo nada" 
Esse trecho fala um pouco sobre a finitude da vida, de como estamos todos indo aos poucos, nesse momento de pandemia, falar disso, por mais dolorido que seja é também necessário, quando começamos a perceber o quanto a vida é esse misto entre está e partir aos poucos, começamos a ver tudo diferente, pensamos em todos os nossos afetos e no que de fato vamos dar valor, porque a cada dia estamos deixando de ser de alguma maneira. Louco né? Mas parece fazer sentindo de alguma forma. 

Vamos passar para o segundo trecho, dessa vez é uma música, do Cartola, que vou linkar aqui para vocês uma versão linda, de um dueto entre Tereza Cristina e Criolo: https://www.youtube.com/watch?v=6EErPqBUVDw, parte escolhida :
" Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó"

https://drive.google.com/uc?export=view&id=1S6KdXBHqlmV8iIVsuKEnlnFj8lwWKLkyhttps://drive.google.com/uc?export=view&id=1XrJKCTwCywUYNS4YD5DgfXV7nQylJKlo
Não sei se vocês perceberam mas os trechos vão se conectando de alguma forma, todas falam de dor e de partida. Escutem essa música por si só e vejam que grande poesia  cantada, dolorida também. 
 Nosso terceiro trecho, foi escrito por uma cearense, Rachel de Queiroz, do livro Dora Doralina, acho que depois vou falar mais sobre ele aqui, é um livro tão impactante, dolorido, que fala do sertão, de amores, de família, de mágoas, teatro,nossa é muita coisa mesmo, chega até ser difícil falar dessa obra sem ser prolixa, mas vamos lá para os recortes, acho que vou colocar dois trechos que amo muito : " Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer. E eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas. O ruim é quando fica dormente. E também não tem dor que não se acalme- e as mais das vezes se apaga. Aquilo que te mata hoje amanhã estará esquecido, e eu não sei se isso está certo ou está errado, porque acho que o certo era lembrar. Então o bom, o feliz se apaga como o ruim, me parece injusto, porque o bom sempre acontece menos e o mau dez vezes mais. O verdadeiro seria que desbotasse o mau e o bom ficasse nas suas cores vivas, chamando de alegria" 

E por fim, o nosso último trecho de hoje, é do livro Amada, da Toni Morrison, um livro que depois conto mais para vocês, terminei recentemente, esse mês ainda e estou digerindo o que foi esse livro, acho que demorei uns dois meses lendo, de tão forte que ele é, tinha que pausar e depois voltar e foi uma viagem bem louca mas vou separar aqui um trecho para vocês:
 " Denver mordeu as unhas.” Se ainda está lá, esperando, quer dizer que nada nunca morre.”
Sethe olhou bem para o rosto de Denver: “Nada nunca morre”, disse ela.
“A senhora nunca me contou tudo o que aconteceu. Só que chicotearam a senhora e que a senhora fugiu, grávida. De mim." 
Outro trecho: " ..."Vai doer agora". Disse Amy." Tudo que está morto dói para viver de novo". Uma verdade para sempre, pensou Denver. "

Então, beuatymores, acho que era isso, separei trechos que discorrem sobre a dor, vida, morte, afinal, tudo isso se interliga ás vezes mesmo, mas de fato nada nunca morre, pode ser dolorido, e como for... mas sempre que pensamos em algo, ou alguém, enfim, aquela lembrança é sempre um sinal de que aquilo ou alguém ainda é vivo dentro de nós, e enquanto as dores, é como Rachel de Queiroz diz, vai doer sempre, talvez seja até um sinal de que estamos vivos mas devemos lembrar que a vida é feito de misturas, existem momentos de dores mas há também momentos de alegrias, vamos viver essa dualidade, que existe no mundo e dentro de nós, que possamos encontrar momentos mais felizes que doloridos mas abraçemos essa contradição que é viver. 

Beijos e até próxima semana, 

Nathypintoo.

A obrigação da produtividade

Esses últimos dias tenho estado bem cansada e pensativa. Tenho me cobrado muito em ser mais produtiva, em estar sempre fazendo alguma coisa, mas meu corpo tem reclamado, minha mente tem insistido que não está aguentando esse ritmo.
 Então me veio à mente a pergunta, que não sei se você já se fez, porque tenho que ter a obrigação de ser produtiva o tempo todo? 
De onde veio essa obrigação? Talvez essa nossa vida tão exposta, a vida vista pelos stories, pelas timelines... tudo isso seja indiretamente uma forma de pressão mental nos exigindo a tal da produtividade. 
O tempo todo somos bombardeados pela exposição de vidas intensas e cheias de afazeres. Pessoas que não param. Pessoas sempre felizes. Pessoas em forma, sempre firmes na dieta. E se essa é a realidade delas, que bom, que ótimo! É bom se inspirar também! Mas e se nós, meros mortais, que não conseguirmos acompanhar esse ritmo? 
A cobrança impera em nossa mente, mesmo que no subconsciente. 
https://drive.google.com/uc?export=view&id=11Nowp5ZKdr-gwfVCQX5NWl5vqNUeWpYn
Pesquisas de universidades inglesas afirmam que 15 min em uma rede social pode aumentar valores de cortisol (o hormônio do estresse), além de, em alguns casos, diminuir as taxas de serotonina (o hormônio da satisfação e, quando em baixa, responsável por sinais de depressão). Sei que pode parecer bem sensacionalista e exagerado, mas são dados que se aliados as nossas observações diárias das sensações de cobrança interna, nos confirmam que, sim, estamos vulneráveis a essa pressão. 
Mas não só as redes sociais, a vida em si, podemos muitas vezes estar nos cobrando e exigindo de nós um ritmo igual ou parecido com o de outra pessoa próxima que muitas vezes (quase sempre) não tem nada a ver com o nosso. 
Talvez seja a hora de repensar nossos ritmos de vida, nossas cobranças, repensar essa tal da produtividade. Somos mesmos obrigados a estar 100% do nosso tempo sendo produtivos? 

https://drive.google.com/uc?export=view&id=1Sgr2pRf-7xrSC8p2nsWt9OOWDieOkaa2

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Resenha: Nada acontece duas vezes - Wisława Szymborska

Oi, beautymores!

Tudo bem? Hoje eu resolvi fazer algo diferente. Em vez de me debruçar em um livro todo, resolvi focar em um só poema. O escolhido foi: Wisława  Szymborska – Nada acontece duas vezes. Nossa autora de hoje nasceu em Kórnik, em 1923, e faleceu na Cracóvia, em 2012, aos 88 anos. É uma crítica literária e tradutora polonesa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1996.  Tem livros traduzidos e publicados pela Companhia das Letras, entre eles o  “Um amor feliz” que é onde tem o poema selecionado. Então vamos lá para o poema, no final vou fazer uma mini reflexão sobre como me tocou o poema e depois vou colocar um link com uma música para vocês, para não perder o costume de colocar link por aqui hehe

 Wisława Szymborska – Nada acontece duas vezes. 
Nada acontece duas vezes
nem acontecerá. Eis nossa sina.
Nascemos sem prática
e morremos sem rotina.

Mesmo sendo os piores alunos

na escola deste mundão,

nunca vamos repetir

nenhum inverno nem verão.


Nem um dia se repete,

não há duas noites iguais,

dois beijos não são idênticos,

nem dois olhares tais quais.


Ontem quando alguém falou

o teu nome junto a mim

foi como se pela janela aberta

caísse uma rosa do jardim.


Hoje que estamos juntos,

o nosso caso não medra.

Rosa? Como é uma rosa?

É uma flor ou é uma pedra?


Por que você tem, má hora,

que trazer consigo a incerteza?

Você vem – mas vai passar.

Você passa – eis a beleza.


Sorridentes, abraçados

tentaremos viver sem mágoa,

mesmo sendo diferentes

como duas gotas d’água.


Wisława Szymborska, Um amor feliz
É muito complicado tentar interpretar poesia, como eu já disse antes, eu não sou especialista em literatura e nada do gênero, tudo aqui é muito feito no feeling mesmo, eu meio que estou expondo para vocês um pouquinho de mim, do que eu leio e do que eu reflito sobre isso. Enfim, além deste detalhe, também tem a questão que nossas subjetividades fazem a gente interpretar tudo de maneiras distintas, pois cada um carrega dores e marcas diferentes. Espero que vocês sintam um quentinho no coração com essa poesia, ela nos conforta em determinados momentos, viver é muito comprido e dolorido, mas é como a poeta diz, nada é igual, nem os beijos e nem as pessoas, hoje nós somos, o ontem já não temos e o futuro? Esse que não sabemos mesmo. Os dias não são iguais da mesma maneira que nós mesmo não seremos mais iguais, somos multidões dentro de universo se chama EU. Abraçamos nossas particularidades e vamos nos confortar e apreciar hoje ainda que ele seja sufocante, louco, lembre nada será igual, dias melhores virão também. 

O link com uma música  que prometi haha: https://www.youtube.com/watch?v=3TNhCWmITEI

Beijos, 

Nathypintoo

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Resenha: Vozes guardadas - Elisa Lucinda

Oi, beautymores. 
https://drive.google.com/uc?export=view&id=1PYE7lqP4iHAOqqwXNqtyIv1dv2VhVP7m

Confesso que cada dia é mais difícil escolher uma leitura para resenhar aqui, sempre fico muito confusa, são tantas opções haha. Mas hoje resolvi escolher um livro de poesia. De uma poetisa, atriz, jornalista, cantora maravilhosa, a Elisa Lucinda. Ela inclusive escreveu o milionário dos sonhos com Emicida, conhecem? Para não perder o costume de indicar o link para vocês, como não tem podcast hoje, vou colocar no final da resenha o link do vídeo de Lucinda e Emicida. E sem mais delongas, vamos para o nome do livro: Vozes guardadas, da editora Record. 

Sobre o livro, é o resultado de onze anos de trabalho, ela juntou diversos poemas, mais especificamente, juntou dois de seus livros: Jardim de CartasO livro dos desejos. Com as mais diversas temáticas, ela fala sobre amor, raça, autoestima, estação do ano, desejo, enfim, são muitos temas mesmo. E a leitura é muito fluída, a Elisa tem esse poder de pegar as palavras e fazer um arranjo e proporcionar as viagens mais loucas para nós leitores, e convenhamos, em tempos de isolamento precisamos de coisas que nos permita viajar, principalmente em viagens que provoquem afetos tão positivos como a maioria dos poemas desse livro. 

E por fim, vou separar aqui alguns trechinhos para vocês para aguçar a curiosidade pelo livro (acho que não é spoiler porque não se tem spoiler de poesia né?). 

Vou começar pelo o poema que me despertou o desejo de ler o livro: 

“Se não gostar mais de mim

não me responda nada

não me diga nada

não quero que fiquem gravadas

as palavras do não querer se não gostar mim

ninguém precisa saber

nem eu.

Se não gostar de mim seja breve seja zen

silêncio de ioga e Sidartha.

Mas se ainda sonhar comigo, por favor, meu amor,

devolva essa carta.”

Depois que terminei esse poema, fiquei refletindo quantas e quantas palavras de não querer a gente guarda hein? 

 

“Queria não saber nada de Aritmética para não contar os dias que não te vejo. Errar na conta do que falta para você chegar. Enquanto você não vem a aflição me inquieta enquanto o medo me quer estática. Cresci achando que as horas esperadas da vida não tinham nada a ver com a Matemática!

 

“Por mim, pelo gume de minha palavra alta e rouca não se sobreporão fascistas, nazistas, racistas, separatistas qualquer ista, qualquer um que me tente calar, amordaçar minha boca. Não mais haverá prisões, ó grande nave louca, para a minha palavra solta!

“Saudade imensa de tua companhia. Drummond ensinou que a saudade é excesso de presença. Então é isso: tua ausência está presente em mim, tua falta ainda anda comigo pra lá e pra cá. Como se você não tivesse partido. Como se ainda fosse voltar.

 

Poderia citar mais milhares das poesias que tem nesse livro maravilhoso, são 515 páginas! Mas é isso, que as palavras de Elisa provoquem em vocês os mesmos sentimentos positivos que provocaram em mim. Seja falando de amor, saudades, safadezas (sim, tem uns poemas bem safadinhos no meio), cotidiano e dores, a autora consegue provocar as melhores viagens.

 

Link do dia: https://www.youtube.com/watch?v=vgdnbRg92n0


Beijos e até a próxima semana,


Nathypinto. 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Resenha - O peso do pássaro morto - Aline Bei

Oi, beautymores!

Vocês já devem ter percebido que estou aqui com bastante frequência né? Estamos indo para terceira semana. Outro detalhe, até agora só indiquei autores brasileiros né? Tentarei indicar no máximo possíveis leituras nacionais, isso não é uma regra, até porque consumo vários autores de outros países também. Enfim, só esses recadinhos iniciais e vamos para a resenha da semana.

Confesso que pensei muito sobre qual livro indicar, mas lembrei de um debate que escutei em um podcast sobre o “ O peso do pássaro morto” e resolvi que esse seria o escolhido dessa semana, inclusive, nem se preocupem, no final do texto vou colocar o link para o episódio do podcast. Sim, sim, eu consumo muito podcasts!

                                    

 

Enfim, logo na orelha do livro somos questionados com a seguinte pergunta: Quantas perdas cabem na vida de uma mulher? Vocês já passaram para pensar sobre isso? Quantas e quais dores vocês ainda carregam em si? Acho que o livro trás muito disso, das dores que a personagem guarda somente para si e como isso vai moldando sua vida.

A narrativa conta a evolução da personagem desde os seus 8 anos até os seus 52 anos, conseguimos perceber como a autora Aline Bei consegue realmente transmitir sobre esse crescimento da sua personagem, vemos que por meio das escolhas das palavras e da narrativa parece que de fato estávamos vendo ela crescer e apesar de tantas dores que essa mulher carrega a leitura é super fluída, quando você ver acabou o livro!

Mas como eu disse, os temas não são tão fáceis de lidar, fala de luto, de ser mãe, de ser mulher também, de como é ser e existir nesse mundo de certa forma também. Confesso que é bem difícil falar sobre esse livro sem querer dar todos os spoilers, mas continuarei tentando.

Então, parece que o livro nos ensina muito como é viver a vida apenas guardando e reagindo aos eventos da vida, parece que a personagem não conseguiu viver de fato, que as dores e os pesos que ela guardava a fizeram se perder de si. Aí fiquei até me perguntando como às vezes também somos assim né? Carregamos nossas dores somente para si, por mais que existir é ser sozinho, precisamos lembrar que existir é coletivo. Para quem queremos existir e o quais motivos fazem nos querer continuar existindo? Lembro que uma das primeiras frases que tem no livro Peles negras, Mascarás Brancas do Fanon, ele quando tá falando sobre a linguagem como forma de dominação diz que falar é existir absolutamente para o outro. Claro que ele tá falando em um contexto de opressão onde a língua pode ser também uma forma de colonização, mas quando terminei o livro da resenha de hoje, me questionei a personagem existiu para quem?

Ela aguentou muito coisa só, não falou, levou consigo as suas dores e nos fazer refletir mesmo o quanto de dor uma mulher pode guardar e aguentar.

Vou deixar um trechinho aqui que me marcou muito no livro:“ - o que é morrer? Ela fritando o bife pro almoço. – o bife. É morrer, porque morrer é não poder mais escolher o que farão com sua carne. Quando estamos vivos, muitas vezes também não escolhemos. Mas tentamos”

Me pergunto quando a nossa personagem deixou de tentar ou se alguma vez ela tentou de verdade viver ou foi só reagindo a tudo o que foi acontecendo. O que fiquei questionando e refletindo após o termino da leitura foi: precisamos falar, precisamos sentir, precisamos ser nós! E isso vai além de descobrir de fato quem somos, mas sim do que queremos deixar de ser. Qual a nossa voz e o que ela reverbera. Se estamos vivos, precisamos poder escolher ainda que existir seja todas as contradições possíveis dentro de toda a loucura que estamos vivendo.

O link do podcast: https://poenaestante.com.br/2020/02/28/o-peso-do-passaro-morto-aline-bei/

Beijos e cheiro grande,

Nathy Pinto.